quarta-feira, 28 de julho de 2010

Currais, Cruzadas, Amazônias e Sandinos

Olá caros leitores, por meio deste venho pedir desculpas pela falta de comparecimento, falta essa, justifico agora pela falta de tempo. Tempo este que é o que menos temos a cada dia que passa. Também pudera, cada vez mais trabalhamos para pagarmos nossos impostos, neste impávido e colosso (custo)Brasil. Mas isso é assunto para a seguir. Demorei para escrever, mas quando me coloquei para tal, havia vontade de desabafar.
Escreverei em 4 subtítulos enumerados/lincados nesta ordem: Currais, Cruzadas Contra... , Amazônia Urbana e Sandinismo.
Creio que os que lerem este artigo , de um jeito, ou outro, (ou não, risos) irão identificar os pontos aqui debatidos com muita clareza(assim espero).
E aos críticos e fanáticos de plantão, desde já deixo claro que a coluna não deixará espaço para manifestações partidárias e de cunho pessoal, nem para comentários “umbigocentristas”.

Tecla Sap – Umbigocentrismo(de minha autoria): é a crença ou teoria em que o seu umbigo é o centro do universo e tudo gira em torno dele.



“Empreendedorismo sustentável, é o que precisamos. É o que o povo trabalhador-empreendedor precisa.”
Valdecir A. Predebon




CURRAIS

É tempo de política, é tempo de eleições. Isso poderia ser escrito com muito entusiasmo, ou orgulho, se não fosse irônico de minha parte, pois não combina com a realidade nacional, nem de longe.
O subtítulo acima descrito, tem o intuito de homenagear a política nacional atual no que diz respeito as eleições vindouras.
A força dos pequenos partidos cada vez mais toma espaço e a politicagem “marmoteira” articula com seus “cupinchas” cada vez mais no intuito de manterem-se no poder a qualquer custo.
Também tem outra faceta sobre o assunto: cada curral novo, mais “tetas”(leia-se cargos públicos, quer seja de confiança ou não) precisam ser “criadas” para que possam tirar o seu sustento(leia-se mamar).
Ler mais em http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,reforma-pode-transformar-partido-em-curral-diz-pesquisador,405545,0.htm

CRUZADAS CONTRA... ( CONTRA O QUÊ MESMO???)

Nestes tempos de indignação, todos saímos em bravatas, hurrando aos quatro ventos que gostaríamos de reformas, que está tudo errado. Aliás, ESTÁ tudo errado, porém o que podemos fazer contra tudo que acontece, se todas mazelas estão caindo na condição de normalidade?
Nós brasileiros, não temos gana de mudança e dificilmente essa condição mudará. Panelaço por aqui nunca foi visto. Nos últimos anos o máximo que vimos foi um bando de adolescentes (na qual eu me incluo) com caras pintadas de guache, pedindo a saída de um jovem presidente, eleito pelo povo (o primeiro pelo voto direto) pois o mesmo era acusado de desviar verbas...o resto desta história todo mundo sabe...
Além do mais, todos nós, a grande maioria dos brasileiros, como já diziam os Engenheiros do Hawaii, estamos “longe demais da(s) Capital(is)”.
Como mudar algumas características adquiridas desde o tempo da monarquia? Escravatura, Capitanias hereditárias, depois com as Oligarquias, e mais recentemente... não sei, me perdi, não sei mais o que estamos vivendo atualmente, o certo é que é uma lavagem cerebral disfarçada, em que um certo casal de senhores, que intutulam-se a bola da vez, vão para a televisão e dizem que está tudo muito bem, tudo muito bom, que não houve mensalão, que o o Brasil não pode se curvar perante o Big Stick americano. Porém os mesmos, não se encontram mais na condição de pagadores de impostos, nem de usuários da saúde pública, nem do ensino público, nem nas condições de produtores, empreendedores entre outros seres batalhadores pela sobrevivência diária.
O governo liberou créditos e exigiu que as faculdades particulares dessem mais vagas aos carentes, aos negros, mas por onde anda o MEC para exigir que as faculdades particulares tenham um ensino condizente com o preço que é pago pelas suas mensalidades? Quantos estudantes você conhece que sai da faculdade formado e não sabe atuar em sua área? Quanto tempo terão que estudar estes profissionais ainda depois de se formar para aprender enfim algo????
E onde andam as faculdade federais? O número de vagas em Universidades Federais é praticamente o mesmo que a 30 anos atrás, quanto nosso país tinha pouco mais de 100.000.000 de habitantes. Estudo técnico federal(leia-se gratuito e de qualidade), onde encontramos? Em número suficiente para a carência nacional??? Essa é a questão....
O programa fome zero nada mais é do que parte de um programa de pão e circo, onde o programa em si é o pão e o circo, todos nós pelo menos deveríamos saber o que é neste país.
“Mantei-vos ignorantes ó povinho medíocre pois assim podemos nos manter no poder, continueis parando um país para assistir nossa seleção e um mês inteiro para festejar é pouco, deveríamos instituir 60 dias de carnaval para podermos produzir mais cultura, riquezas, nossa popularidade internacional irá aumentar como nunca...”
A violência a cada dia está maior, e há anos viemos dizendo que vivemos uma guerra civil invisível, só não vê quem não quer.
Certo dia, assistia um documentário sobre os conflitos na região da Caxemira. A conversa era entre alguns adolescentes do Paquistão e um adolescente da Caxemira, região paquistanesa que quer sua independência a anos. Onde conflitos armados foram constantes no cotidiano dos seus civis e o clima lá sempre foi dos mais tensos. O que ouvi, não comoveria nem o mais sensível dos brasileiros. O que acontece hoje no Brasil, chacinas, assassinatos com níveis de crueldade e perversidade jamais vistos, até rituais de magia negra estão no cotidiano freqüente das causas de assassinato por estas terras,...
E por último e não menos importante, o subtítulo destes parágrafos nos remete às cruzadas religiosas, onde muito sangue rolou naqueles idos, pois o que vivemos hoje é diferente????? Em nome de que ???? isso não sei responder....

AMAZÔNIA URBANA ( x CURRAL GAUDÉRIO )

Quando escuto a Renata Vasconcelos anunciar no Jornal Nacional a reportagem sobre a Amazônia Urbana chega me causar uns 5 tipos de enjôo. Não pela repórter, pois por sinal, em minha casa, somos fãs dela... mas pelas inacreditáveis histórias que escutamos sobre o pulmão do mundo. Todos sabemos do grande desmatamento que a Amazônia sofre, em tempos em que o mundo está literalmente derretendo, e ainda assim escutamos falar de progresso por aquelas paragens. Tentativas frustradas já são conhecidas ( Transamazônica, Fordlândia, entre outros ).
Tudo em nome da “soberania nacional”. Mas que soberania? no programa de 4ª feira, 21 de Julho de 2010, quem assistiu ficou sabendo que o maior município do mundo (Altamira) está a 1.100 km (sim , isso mesmo , mil e cem kilômetros, distância de Porto Alegre a São Paulo) de um de seus distritos, na qual luta para se emancipar e já conta com 18.000 habitantes. Então voltando a pergunta acima, que soberania é essa? Uma escola neste distrito é um braço de uma escola instalada em Altamira.
Todos sabemos que o Brasil tem centenas, senão milhares de cidadezinhas com cerca de 3.000 habitantes, com seus vereadores, seu curral político, seu prefeito, suas “tetas” e seus “mamadores” , e nem por isso, essas cidadezinhas são propriamente ou necessariamente urbanas e/ou urbanizadas.
Precisamos sim é “urbanizar” a mente destes políticos, que não tem noção nenhuma do que é urbanização, qualidade de vida, espaço público, condições de socialização, distribuição de renda, entre outros.
Distribuir Renda não é criar cargos públicos(leia-se políticos) para povoar uma localidade.
Se simplesmente uma localidade como essa acima mencionada de 18.000 pessoas fosse emancipada, talvez eles conseguiriam desenvolver-se um pouco mais, com suas próprias forças.
Sabe-se de fonte segura que na Amazônia, pouco se produz atualmente, além de vastas “cachaçadas” pois com salário família, cargos públicos, entre outras “benesses”... trabalhar pra quê?
Em contra partida, muitas das cidadezinhas mencionadas com cerca de 3.000 habitantes (fui otimista, algumas não chegam a ter 100, se as mesmas deixassem de ser cidades e voltarem a ser distritos de suas cidades mães. Nestas condições, quanto a máquina pública iria economizar? Aliás, o Rio Grande do Sul é campeão neste quesito.
Por aqui, temos a “honra” de ser o maior Curral, quase 9 % do número de municípios do país encontra-se em solo gaúcho. São 496 dos 5546 municípios do Brasil, (em breve seremos 497, pois mais um curral se forma pela encosta superior do Nordeste gaúcho). Veja bem , somos o Estado com o maior número de Municípios, e também um estado campeão de déficit público se comparado com sua renda percapita, coincidência não?
E ainda assim, continuamos ouvindo por estas paragens frases do tipo “-Tem que emancipar mesmo.”, “-Vai ter mais progresso, vai sobrar mais dinheiro pra nós investir.”, “É mais dinheiro que vai vir para a região.” ... Pena que o progresso e o investimento sejam canchas de bocha e salões da comunidade como nunca se viu antes, e o dinheiro que vem para a região, vem mesmo, mas acaba sempre no bolso de alguns, os de sempre é claro.


SANDINISMO
O que você vai ler abaixo, são trechos coletados do wikipedia e disponíveis no google, não me responsabilizando assim por tais textos.

A Nicarágua é um país pequeno e pobre da América Central. Durante o século XIX e começo do século XX, sofreu diversas invasões de tropas norte-americanas. A partir dos anos 30, o poder ficou com a rica família Somoza, proprietária de quase metade dos bens do país.
Nos anos 70, grupos guerrilheiros de várias tendências políticas formaram a Frente Sandinista. Em 1979, a Revolução Sandinista saiu vitoriosa.
Os Sandinistas
Augusto César Sandino formou um exército de camponeses para combater os latifundiários e a intervenção militar dos EUA em seu país - de 1927 a 1933. Foi traído pelo ditador Anastasio Somoza (pai) e assassinado em 1934.
Nos anos 70, os guerrilheiros que combatiam Anastasio Somoza (filho) assumiram o nome de sandinistas por se considerarem parte do movimento de luta popular iniciado por Sandino quarenta anos antes. Formaram a FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional), que unia comunistas, social-democratas e liberais radicais.
O Fracasso da Revolução Sandinista
Desde que os EUA empreenderam sua primeira incursão na Nicarágua, em 1855, o país já fora invadido quatro vezes por forças militares estrangeiras, sendo 1979 o ano em que as massas nicaragüenses impuseram uma derrota ao imperialismo e seu governo títere. A revolução sandinista foi a última experiência vitoriosa de insurreição popular até hoje, mas a política da direção reformista aglutinada na Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) sufocou todas as perspectivas da Nicarágua se tornar um Estado operário e, em conseqüência disso, de se tornar independente do imperialismo e abrir um novo caminho para o seu desenvolvimento nacional.Trinta anos após a revolução, hoje a FSLN não só convive pacificamente com os exploradores e assassinos do povo, como fez de tudo nessas três últimas décadas para defender o Estado burguês, a conciliação de classes e a propriedade privada. Se, por um lado, o imperialismo norte-americano procurou levar o país ao seu colapso econômico e social, financiando na década de 80 uma guerra civil que levou à morte de mais de 50 mil pessoas, a política levada pela FSLN e seu principal dirigente, Daniel Ortega, levou a revolução para um beco sem saída, forçando a marcha do processo revolucionário através da colaboração política com o imperialismo e seus agentes locais em um regime de comum acordo, de fachada democrática.
O fracasso do sandinismo é um resultado de sua política em comum com os inimigos da revolução, das suas concessões políticas e econômicas e de sua repressão contra setores verdadeiramente revolucionários.
FSLN e a burguesia nacional se unificaram para depor o regime de Anastásio Somoza em torno de um ponto em comum. Num primeiro momento, esta união foi apresentada como uma manobra política “tática”, mas após a deposição do governo, a aliança se manteve sob a bandeira da “reconstrução nacional” da Nicarágua, devastada pela ditadura sangrenta contra as massas. Esta política “estratégica” – unidade nacional, democracia pluralista – permanece, no entanto, até os dias de hoje e serve unicamente aos interesses da burguesia, impondo uma barreira à organização proletária independente.
A revolução iniciada pelos trabalhadores nicaragüenses foi desviada, no auge de seu decurso, por uma reforma política que resguardasse acima de tudo a manutenção do Estado burguês. Os exploradores nacionais, em completa decadência frente ao regime pró-imperialista de Somoza, forçaram seu caminho até a direção da revolução através da aliança com a Frente Sandinista.




Bem, voltando aos meus mal-traçados subtítulos, o que quis aqui, foi colocar alguns aspectos e peculiaridades que nos fazem ver o porque de não termos saúde e educação pública de qualidade, porque muitos ainda enfeitam seus jardins com esgotos a céu aberto, ou vivem ainda em palafitas, casebres de latão, ou de papelão. Não vivemos em uma nação, vivemos em uma vala, onde corre muito dinheiro e no final, vai parar tudo no mesmo lugar...

A propósito, vocês sabiam que na Nicarágua também existe um programa fome zero? (Hambre Zero em espanhol), só que lá ao invés de dinheiro, o povo recebe animais(matrizes), ou alimentos(mudas) , mas ainda assim não deixa de ser manobra populista, pois falta uma parte, saber de onde vem as mudas e as matrizes, o povo não aprende a criar ou procriar suas mudas e matrizes, nem recebe uma quantia suficiente para tal.
Ao estudar a história deste país, descobri que lá também existiu uma Cruzada, a Cruzada Nacional contra o Analfabetismo, que mobilizou o país inteiro em busca de alfabetização. Causa essa que ainda é um problema neste país. Coincidência ou não, a esquerda assumiu, mas parece que o poder nas mãos erradas não promovem muitas mudanças, só o passar dos anos pôde mostrar isso, foi o que que aconteceu nestes 30 anos.
E nós, aqui no Brasil, 20 anos serão o bastante para vermos que ainda teremos uma infinidade de problemas??????

Fica aqui meu abraço e reflitam sobre seus votos.

Um forte abraço do amigo
Vanir Predebon

Nenhum comentário: