sexta-feira, 28 de maio de 2010

Resenha | "Good to Great" Empresas Feitas para Vencer - Jim Collins

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Documento com destaques para anotações relevantes

Méritos ao Aluno e amigo Gerson Gellatti

forte abraço e boa compreensão

do amigo

Vanir Predebon

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O E-Mito e o Surto Empreendedor

Eles se intoxicam de tal forma com trabalho que não vêem como realmente são.

Aldous Huxley

O E-Mito

Olá amigos, como sempre afirmo, empreender não é para principiantes(risos) e a cada dia que passa percebo quanto “Surtados”, todos nós estamos . Tentarei começar este artigo de forma humorada, porém cruel. A maioria de nós imagina um típico empreendedor como um homem ou mulher, enfrentando tudo e a todos, desafiando bravamente as dificuldades imensuráveis, a natureza, e outras forças que não convêem aqui novamente mencionar. Tudo isso com muito entusiasmo e animação – tudo isso para concretizar o sonho de montar o próprio negócio.
Aqui parafraseio o escritor Michael Gerber – “Essa lenda tem um ranço de nobreza, arrogância e esforço sobre-humano de um compromisso prodigioso com ideais maiores que a vida” .
Quanto a existência de tais pessoas, todos sabemos que o descrito acima é raro, e de tantos empresários que conhecemos poucos são verdadeiros empreendedores, e que na maioria das vezes, a animação e entusiasmo se dissipou rapidamente. Mas todos eles não foram um dia empreendedores? Onde está o empreendedor que abriu o negócio?
Segundo Michael Gerber, a resposta é simples: “O empreendedor só existiu por um momento, um instante fugaz; depois ele se foi e, na maioria das vezes, para sempre. Entretanto se um empreendedor tiver sobrevivido, terá sido como um mito , que nasceu por equívoco em relação a quem abre um negócio e porquê; um equívoco que tem nos custado caro – mais do que podemos imaginar – com perdas de recursos e oportunidades e com o desperdício de nossas vidas”. Esse mito, ou equívoco, é que ele chama de E-mito, o mito do empreendedor, uma crença romântica de que as pequenas empresas são abertas por empreendedores, quando, na verdade, a maioria não é.

O Surto Empreendedor

Para entender melhor esta historinha e o tal equívoco, vamos analisar através de uma pequena fábula, como geralmente se entra no mundo dos negócios, não depois da pessoa abrir a empresa, vamos começar desde antes disso.


O doce aroma de tortas fresca invadiu o ar. Eram sete da manhã e “Tudo sobre Tortas” ia abrir as portas em meia hora. Mas a mente de Sarah estava em outro lugar.
-São sete horas – ela disse, secando os olhos com o avental, como se estivesse lendo meus pensamentos. – Já notou que estou aqui desde as três horas da manhã? E que acordei às duas horas para chegar na hora? E que, enquanto prepato as tortas, abro a loja, atendo os clientes, limpo, fecho, faço as compras, fecho o caixa, vou ao banco, janto e preparo as tortas para assar amanhã? Já vão ser nove e meia, dez horas da noite, e, enquanto faço tudo isso, enquanto qualquer mortal comum diria”pelo amor de Deus o dia acabou, preciso sentar e começar a imaginar como irei pagar o aluguel do mês que vem! E tudo isso – continuou ela, novamente abrindo os braços com desânimo como se quisesse acentuar tudo que havia dito – porque meus melhores amigos me disseram que eu seria louca se não abrisse uma loja de tortas, já que era tão boa nisso! E, o que é pior: acreditei neles! Vi uma saída para o emprego horrível que eu tinha. Vi um caminho para a liberdade, fazendo algo que adorava, tudo isso para mim mesma.
Ela estava no meio de um desabafo e eu não quis interromper. Esperei pacientemente para ouvir o que ela iria dizer em seguida. Em vez de falar, ela chutou o enorme forno negro a sua frente e gritou:
- Droga! Droga, droga, droga!
E para enfatizar, chutou de novo o forno e desabafou após um longo suspiro.
- O que vou fazer agora? Indagou ela quase em um sussurro. Eu sei que ela não indagou isso para mim , mas para si própria.
Sarah encostou-se na parede e permaneceu quieta. Ela estava profundamente endividada; gastou tudo que tinha e o que não tinha para abrir aquela adorável loja. Os móveis, os utensílios, os fornos, era da melhor marca; a vitrine era encantadora, a melhor que o dinheiro poderia comprar. Ela colocou a vida naquele lugar, e também nas tortas, pois era apaixonada pela culinária desde menina, graças aos ensinamentos de uma tia que viveu com sua família durante a infância dela. Foi a tia que apresentou a ela os segredos do processo: a mistura da massa, a limpeza do forno, a forma de salpicar a farinha, a preparação dos tabuleiros, o cuidado como corte das maçãs, das cerejas, do ruibarbo, dos pêssegos. Era um trabalho que envolvia amor, sua tia a corrigia quando, na pressa, Sarah acelerava o processo.
- Sarah querida, nós temos todo o tempo do mundo – ela a advertia várias e várias vezes. – O objetivo de assar tortas não é só prepará-las. É, simplesmente, assar tortas.
Sarah , achava que havia entendido. Mas agora, Sarah descobriu que o objetivo de assar tortas era mesmo “prepará-las”. Ter como objetivo assar as tortas a arruinou; pelo menos, era isso que ela achava. Observei Sarah encolhendo-se ainda mais contra si mesma; notei o quanto opressivo deveria ser para ela ver-se com tantas dívidas, sentir-se tão desamparada frente ao problema. Onde estava sua tia agora? Quem iria ensinar a ela o que fazer em seguida?
- Sarah, - disse eu, o mais cuidadosamente possível, - Está na hora de aprender tudo de novo sobre tortas.

Moral da história: O técnico acometido com Surto Empreendedor assume o trabalho que ama fazer e o transforma em um emprego. O trabalho, nascido do amor à função, torna-se uma obrigação, dentre uma montoeira de outras obrigações menos conhecidas e menos prazerosas. Em vez de manter sua especialidade, habilidade particular e técnica que a pessoa possui e com a qual iniciou seu negócio, o trabalho se torna trivial, algo a ser finalizado, visando acomodar tudo mais o que precisa ser feito.


Então, estamos ou não estamos surtando?

Um forte abraço e tenham todos uma ótima semana

Do amigo

Vanir Predebon