Olá, caros amigos leitores!
Por meio desta venho participar, como cidadão, de um questionamento que há tempos atazana algumas mentes na Serra Gaúcha. Os estacionamentos pagos, ou zona azuis, como são conhecidos por aqui.
O Brasil já é um país com um custo muito alto, as cidades estão colaborando para este custo subir ainda mais.
Abaixo segue um emaranhado de “conflitos” que atravancam o desenvolvimento, ou melhor dizendo, o bem estar social nestes arredores.
O desenvolver da idéia é feito a partir de 3 perguntas que, talvez, remontará um dossiê mental para reflexão pessoal de cada indivíduo.
Méritos ao meu amigo Ernani Tomedi que fez-me umas ressalvas antes de publicar esta coluna.
A 1ª pergunta (e acho que é a mais importante) talvez responda todas as outras que poderão existir:
- Quanto deixam de arrecadar os estabelecimentos (e também as Prefeituras, com os impostos) em detrimento da zona azul?
Alguns virão com a seguinte frase: “Não concordo, agora é que tem estacionamento, antes nunca tinha lugar pra estacionar.”
Reflita comigo, isso é bom????? Diminuição de movimento é bom ? Será que essa gente ainda desconhece que nos encontramos na era da Internet? As pessoas estão cada vez mais buscando comodidade e comprando diretamente de suas casas, ou seja, sem ter de sair e estacionar seu veículo num estacionamento pago.
Vamos à segunda parte do raciocínio, que também cabe ao mesmo questionamento. Se você for cortar o cabelo no Centro, o seu cabeleireiro cobra R$ 15,00 o corte, sua despesa será R$ 15,00, correto? ERRADO, você pagará mais R$ 1,00 para estacionar e, se bobear, mais R$ 10,00 daquela multinha básica que os agentes colocam embaixo do seu pára-brisa se o cabeleireiro atrasar.
Então é correto afirmar que além dos aluguéis serem mais baratos fora do Centro e não haver estacionamento “azul”, é mais competitivo um estabelecimento de bairro mais afastado, ou até mesmo vizinho ao Centro, custando menos o corte. Sendo assim, mais vantajoso ao cliente, não é mesmo?? E se fizermos uma “venda casada”? O indivíduo simplesmente compra mais coisas perto daquele cabeleireiro e até pode ir ao um mercadinho próximo .
A terceira e última parte deste raciocínio questionador. Quanto vale o metro quadrado comercial no Centro?????... Pensou?... Tem certeza?... Será que vale isso mesmo? Não é mais vantajoso (leia-se mais barato, menos burocrático, entre outras coisas) fazer compras em bairros próximos que facilitem o estacionamento ?
Então é correto pensar duas vezes ao se interessar em comprar um imóvel na área central da cidade, não é mesmo?
Porém, minha percepção de que existe diminuição no movimento pode estar totalmente errada, talvez, os CDL’s tenham maiores informações já que defendem a categoria.
2ª pergunta, não menos importante:
- Parquímetros, para que realmente servem? Ao meu ver, para “modernizar” o semblante dos centros urbanos. Sim, pois para cada parquímetro instalado, tem que haver o mesmo número de agentes para poder fiscalizar os “inadimplentes”, muitas vezes que colocaram o valor referente a 01 hora e passaram 15 minutos, pois alguém já viu médico atender pontualmente? (Brincadeira! Mas é sério, sempre pode atrasar). Além disso, estas maquininhas “caça-níqueis” não vão devolver o troco caso você colocar 02 horas e demorar 01 hora a menos.
Finalizando a parte deste “dossiê”, que não bastasse ter estes entraves acima citados, ainda temos que contar com uma “infinidade” (ironia) de parquímetros instalados, sem falar que às vezes os mesmos não estão em funcionamento, tendo assim que nos deslocarmos por mais de 100 metros e voltar para colocar o bilhete no pára-brisa.
Enfim, além de tudo isso, sabe-se que o contrato com as proprietárias das máquinas, acho que denominam-se concessionárias, é BEM LONGO.
Quando comparei acima os parquímetros a máquinas “caça-níqueis”, tentei explanar um depoimento que abaixo segue. Veja se não tem fundamento.
“Quanto à cobrança, esse é um modelo de negócio que eu gostaria de utilizar. Já imaginou vender um produto 2 vezes? Certa vez fui ao banco, tinha apenas R$ 1,00 para o estacionamento e não demorei mais que 15 minutos, e logo que fui embora outra pessoa estava estacionando no meu lugar.”3ª e última pergunta para não me estender tanto:
- Tolerância existe realmente? Bem, todos que utilizam este serviço devem ter na ponta da língua esta resposta e inúmeras histórias diferentes para contar. Certo dia, flagrei uma moça destas que “fiscalizam” colocando a tal tarifa de R$ 10,00 que, segundo ela, eu já estava fora da tolerância. Pedi a ela para me mostrar a anotação de quando eu havia estacionado, ela não tinha. Eu havia estacionado simplesmente para entregar um modem destes para internet via Celular, e voltado. Mão demorei nem 5 minutos e lá estava a “multinha”. Sei de fonte segura que os responsáveis por estes departamentos incitam estes colaboradores a “faturarem”. Não vou me estender com isso, mas para quem se julgar bom entendedor, meia palavra basta. Ser tolerante e/ou compreensível, não é uma questão apenas de bom senso, é uma prova de educação, inteligência e cultura. Tratar bem aqueles que enriquecem nossa cidade/região é cuidar do nosso próprio futuro.
Bem, tem muito mais particularidades a serem explanadas, mas a coluna não quer ser massante. Fica aqui o registro que é dividido com outros reclamantes e para que não nos frustremos ou geremos expectativas otimistas, alerto-vos que não espereis mudanças, pois vivemos num país de forças ocultas, desregulado, sem noção e com poucos argumentadores que façam contas parecidas com estas:
Em um estabelecimento (zona Azul) um tênis de marca X custa R$ 250,00 + estacionamento
Situação 1
Em um bairro próximo, o mesmo calçado sai por R$ 220,00 sem custo de estacionamento.
No mínimo, a prefeitura arrecadará menos impostos.
Daqui para baixo, a prefeitura local não arrecadará mais nada
Situação 2
Em um Shopping/Atacado/Loja na Região (outra cidade) o mesmo calçado custa R$ 199,00
Situação 3
Em uma loja de Internet especializada em calçados o mesmo custa R$ 170,00 com frete grátis, já incluso no preço.
Situação 4
Estou em viagem e avistei um Tênis similar de marca até superior àquele em um outro Estado/País por R$ 120,00 , comprei.
Lembremos que concorremos com tudo hoje em dia. Uma loja de calçados concorre com uma agência de viagens, e também que não cabe aqui dizer o quanto a prefeitura e lojas locais deixam de arrecadar, mas é preciso perceber que o mundo mudou, que os consumidores não são trouxas e procuram por alternativas mais atrativas, prazerosas e mais em conta.
Então... quanto perde em arrecadação um zona (bairro, centro) e uma cidade com a queda do consumo e quanto isso reflete no empreendedorismo local? E para onde vai o dinheiro do estacionamento rotativo? Pense nisso...
Tenham todos uma ótima semana repleta de reflexões!
Do amigo,
Vanir Predebon






