quarta-feira, 15 de julho de 2009

Aspectos Antropológicos de nossos empreendedores( Faceta dos imigrantes Italianos)

“É melhor estar preparado para uma oportunidade e não ter uma,
do que ter uma oportunidade e não estar preparado “
Whitney Young Jr.

Olá Amigos, sei que tenho que ter cuidado com o que escrevo e posso ser execrado (opa, agora exagerei,risos) , porém o que abaixo pode ser lido, não é para ofender ninguém e sim indentificar o que podemos melhorar, pois somos seres humanos, cheios de erros, portanto pré dispostos a ser ( ou não ) exatamente tal qual a carga genética que estiver correndo em nossas veias .
Certa vez escutei alguém dizer: “Pôxa, parece até que italiano tem raiva de italiano” talvez nem Maquiavel possa explicar, mas que esta colocação não é tão descabida em se falando de nossa etnia.

Quero lembrar que me incluo neste contingente acima e abaixo citado, por isso também me reconheço nos descritivos, isso não quer dizer que somos seres humanos ruins ou pervesos. Somos sim , pura e simplesmente seres humanos , que podem e devem despertar para a vida em algum momento e evoluir.

Como a maioria de todos que estudaram, leram ou ouviram alguma coisa a respeito da imigração italiana em nossa região, sabemos que os imigrantes sofreram muito, quer seja em seu país de origem , onde passavam dificuldades e muitas vezes fome árdua, onde trabalhavam na maioria das vezes como camponeses quase escravos na terra de seus “paroni” (patrões) . O sofrimento não cessou e sim continuou, na troca do “nada” por “quase nada”( esta expressão devo ao amigo José) quando da travessia do Oceano Atlântico , ou ainda quando chegaram em nosso País , onde continuaram passando fome até que suas plantações começassem a render alimentos (em terras onde somente os italianos conseguiriam se adaptar( lógico que aqui não falo dos Índios, na qual sempre foram os verdadeiros donos desta terra e que estes sim eram adaptados, mas em menor número que a italianada vinda para cá) tendo em vista a densa mata, umidade e relevo extremamente acidentado), mas o Imigrante , foi muito criativo e certamente outro povo não teria conseguido sobreviver neste solo úmido e frio, e graças a topografia que era parecida na Itália conseguiram subsistir e conseguir a almejada “cucanha”. Aqui vale salientar que o pinhão e a polenta foram dois ingredientes na qual a base culinária foi calcada por um bom período .

Sua criatividade fez com que rapidamente os imigrantes aqui chegados , conseguissem progresso à custas de muito trabalho e ajuda mútua entre os compatriotas, este povo sabia muito bem trabalhar com madeira, metais e de tudo um pouco .Sabemos também que todas estas dificuldades fizeram com que o “gringo” como eram chamados, dessem muito valor aos seus pertences, bens e economias , e juntamente com sua religiosidade exacerbada e já culturalmente arraigada em seus genes , as riquezas eram muito pouco utilizadas em compra de pertences e o gringo ficou conhecido como mão fechada, a não ser , para a compra de terras , na qual até hoje em dia podemos ver muitos de nossos Empreendedores apegados às mesmas ( parte disso pode-se creditar a escassez de terras enfrentada na Europa). Por um lado tudo isso é bom , o acumulo de riquezas fez brotar cidades muito prósperas na Serra Gaúcha a exemplo visto do que são cidades como Bento, Caxias e todas as outras que formam as antigas Colônias italianas. Geraram riquezas e consequente progresso, mas por outro lado, como o gringo não tinha nada e de repente vê-se em meio a fartura, isso fez brotar uma competição gerada principalmente pela inveja, sim , ela mesmo, bem ou mal , foi ela que fez gerar boa parte de todo este progresso, este foi o lado bom e apenas este, o lado ruim desta faceta, é que a partir daí viu-se que as chances de continuarem a trabalhar em conjunto com seus vizinhos, já não era mais tão viável, pois antes quando todos não tinham nada , todos eram iguais, agora quando alguns tem, os outros também o queriam. Atrelado a tudo isso, veio a onda do capitalismo e a Segunda Grande Guerra. O Resultado de tudo isso é o individualismo que está presente em nossa sociedade na qual as vaidades sempre põe a prova a continuação de qualquer que seja o projeto, levando-se em conta sempre que o umbigo mais próximo é o centro do mundo – nasce assim o Umbigocentrismo (boa essa não? Eu também sei inventar nomes “pomposos” para eventos inexplicáveis, (risos)) .

Chamo a atenção para mais um aspecto que vem desde nossos antepassados, a Prepotência. Nossos novos ricos se tornam desconfiados, pois está nos seus costumes, duvidar que os outros queiram que ele vá bem, mas isso já era assim ainda na Itália, e Maquiavel tentou explicar a mais de 500 anos. Se por um lado , quando este era pobre, ou trabalhador normal , vivia bem, tinha um bom círculo de amizades, humildade, é comum vermos nossos semelhantes em genética sendo mesquinhos, avarentos, ávidos por dinheiro( méritos ao amigo Ivo que me inspirou esta expressão ) desdenharem seus próximos, após terem conquistado o sucesso empresarial ou profissional. É por isso também que é normal vermos disputas em empresas familiares e desavenças entre irmãos, pois nossos novos ricos não sabem ainda lidar com a fartura, e isso é muito ruim para o empreendedorismo. A vaidade é a grande inimiga dos negócios bem sucedidos, muitas vezes a mesma , põe em risco todo o processo corrente de relacionamentos empresariais e parcerias em nome do poder e da vaidade , dando assim espaço para a peçonha alheia, boatos e fofocas a cerca de tal empreendimento.

Parando por aqui pois acho que já escrevi demais, e estou me sentindo deprimido (risos), todos sabemos que isso não pode ser generalizado, mas se nossos decendentes e contemporâneos “vivêssemos” ( aqui pode ser lido muitas coisas diferentes, mas principalmente se pegássemos um pouquinho mais leve )apenas um pouquinho mais , talvez os próprios empreendimentos fossem ainda mais prósperos.