sexta-feira, 27 de março de 2009

O Marketing da Bombacha

Esta semana posto um artigo que esteve rodando na internet e recebi do amigo Uillian Zanotto , oriento para que reflitam sobre o que pode ser feito para seu negócio ser percebido realmente como algo regional, legítimo e original , poderíamos dizer , quase que um verdadeiro selo de indicação de procedência , o exercício é extremamente válido . Nestas horas me lembro do hamburger ( MC Donald's, na qual a casa estava lotada ) que continha abacate em que eu e meu irmão comemos certa vez no Chile...
( risos ), sim , isso mesmo , abacate... pois faz parte da gastronomia dos Chilenos adicionar abacate a algumas refeições...ao final do artigo vocês entenderão melhor a breve citação e onde queria chegar.
Boa Leitura e aprendizado a todos!
Um forte abraço do amigo
Vanir Predebon
O Marketing da Bombacha

09/02/2009 - Revista Veja - SP

Para uma empresa fazer sucesso no Rio Grande do Sul,
ela tem de ser gaúcha ou, pelo menos, parecer gaúcha

Por: Igor Paulin

O orgulho que os gaúchos têm de sua terra e de suas tradições vai muito além do aspecto folclórico, como logo descobrem as empresas estrangeiras e de outros estados que tentam conquistar o mercado do Rio Grande do Sul: eles de fato dão preferência a produtos autóctones. Essa espécie de protecionismo comercial por razões culturais é uma peculiaridade gaúcha. Nas demais unidades do país, a predileção por marcas locais é mais presente nas classes D e E. No Rio Grande do Sul, abrange também os mais ricos. Um levantamento realizado pela consultoria Nielsen mostra que os segmentos A e B gaúchos consomem 31% dos bens não duráveis fabricados na região, quase o dobro da média nacional. "É o único lugar do Brasil em que os mais bem aquinhoados são grandes consumidores de marcas regionais", diz Ana Carolina Franceschi, coordenadora da pesquisa. Para conviver com essa singularidade, é comum que as empresas forasteiras abracem as tradições locais. Para ganharem a confiança da clientela, algumas chegam mesmo a se passar por gaúchas.

O Magazine Luiza adotou essa estratégia em 2004, ao comprar as 43 unidades das Lojas Arno, então uma rede tradicional do Rio Grande do Sul. No princípio, o nome da Arno foi mantido. Depois, acrescentou-se a nova marca à antiga, duplicidade que permaneceu nos letreiros e anúncios durante um ano, até que a mudança fosse absorvida pelos consumidores. Passada a fase de adaptação, a marca Arno pôde, enfim, ser retirada sem traumas. "As pesquisas que encomendamos indicavam que precisávamos fazer uma conexão com o consumidor gaúcho e que corríamos o risco de perder quase 2 milhões de clientes se mudássemos o nome imediatamente", diz Frederico Trajano, do Magazine Luiza. A manobra deu ótimo resultado. Em menos de cinco anos, o Rio Grande do Sul se tornou o terceiro maior mercado da rede de lojas de eletrodomésticos. "O segredo foi chegar devagarzinho, manter a humildade e jamais comparar a marca nova com a antiga", diz o publicitário Antônio D'Alessandro, que delineou a estratégia do Magazine Luiza no estado.

A rede de supermercados americana Wal-Mart, que em apenas três anos se tornou líder do mercado gaúcho, seguiu outro caminho. Em 2005, a Wal-Mart comprou as marcas Nacional, Big e Maxxi Atacado – e nem sequer cogitou substituí-las pelo seu próprio nome. "Nossa principal preocupação é colocar as mercadorias do estado nas prateleiras", afirma José Oswaldo Leivas, que comanda as operações da rede na Região Sul. Segundo ele, não podem faltar produtos como erva-mate de Ijuí e doces de Pelotas. O Carrefour não mudou de nome, mas também recheou suas gôndolas com produtos locais. "É o lugar onde há mais marcas regionais em nossos estoques", afirma Jairo Fagundes, diretor regional da empresa. No Rio Grande do Sul, o Carrefour oferece mais de 4000 itens produzidos no estado. É uma enormidade. Para efeito de comparação, suas lojas paulistas expõem apenas 2600 mercadorias de origem local. Para tentar estreitar os laços com a clientela, o Carrefour patrocina uma curiosa Escola do Chimarrão, que funciona dentro de um ônibus. De botas, bombachas e chapéu, o especialista Pedro Schwengber roda as sete lojas do Carrefour no estado para dar aulas sobre a bebida. "Posso ensinar as 36 maneiras de preparar o legítimo chimarrão", diz.

A operadora de celulares TIM procura colar sua marca nas tradições dos pampas. Patrocina a Semana Farroupilha e o Movimento Tradicionalista Gaúcho, nos quais os trajes típicos são indispensáveis. A antiga cervejaria Antarctica (hoje AmBev) foi uma das primeiras a perceber essa característica do mercado gaúcho. Comprou uma marca estadual, a Polar, em 1972, e não a extinguiu. Comercializada apenas no estado, a Polar é a segunda cerveja mais vendida entre os gaúchos – perde apenas para a Skol, também da AmBev. Como o chimarrão, a Polar tem um sabor mais amarguinho. Para reforçar ainda mais o elo com o consumidor, lançou no ano passado versões em lata com os símbolos de Grêmio e Internacional, cujas torcidas costumam entoar o grito de guerra "Ah, eu sou gaúcho!".

Ignorar esse aspecto do mercado gaúcho é quase um suicídio. Em 2004, quando inauguraram as primeiras lojas no Rio Grande do Sul, as Casas Bahia utilizaram o mesmo modelo de marketing com o qual conquistaram a clientela do resto do Brasil. Chegaram a ter 27 lojas. O chimarrão entornou. Hoje, a rede tem apenas seis pontos-de-venda no estado. Em meados de 2008, o presidente do grupo, Michael Klein, encomendou uma pesquisa para descobrir as razões do insucesso e alternativas para driblá-lo. Os consultores sugeriram mudanças na roupa do bonequinho do seu logotipo – a troca do chapéu de cangaceiro por um de gaúcho e que ele envergasse também botas e bombachas. O conselho foi ignorado. Talvez o melhor mesmo seja trocar o nome para Casas Rio Grande.

segunda-feira, 9 de março de 2009

(DES)EMPREENDEDORISMO RURAL

Que nosso país é governado por uma corja de burocratas e outros substantivos afins, todo mundo já está cansado de saber. O que muitos não sabem é que empreender no campo está cada dia mais difícil.
A via campesina, os sem terra, entre outros movimentos, lutam para ter seu lugarzinho para plantar e subsistir, porém, vemos todos dias na televisão invasões de terras, matanças, vemos também beneficiados pela reforma agrária, ou seja , assentados, que venderam as terras que ganharam do governo e agora estão juntos novamente reivindicando novas terras, tudo isso não soa novidade não é mesmo?
Estes tempos , escutei uma história de um amigo meu , o senhor Antônio Agostini de Garibaldi , que me comentou que esteve muito perto de ter seu futuro garantido , ou melhor, a famosa cucánha ( aos que não entendem o dialeto Vêneto, leia-se prosperidade) longe do Rio Grande do Sul, no Mato Grosso mais precisamente , nos anos 70 ,mas seu sonho foi interrompido por constantes invasões e matanças naquela região , onde ninguém era dono de suas terras, contratos não eram respeitados e muita gente perdeu tudo simplesmente por não saber agir de forma “coronelesca” ou melhor, não sabiam pegar em armas para atirar em seus semelhantes, hoje as lamentações são muitas , porém, aos que não agiram desta forma, tenho certeza que deleitam em seus travesseiros a consciência e o sono dos justos.
Mas enfim, a reforma agrária sempre foi um sonho de agricultores sem terra e dos “com” terra, nem que esta estivesse apenas debaixo de suas unhas ( pausa para rir pois ninguém é de ferro , só tristeza não dá {[(risos)]}) porém , os que não estão a par das notícias corriqueiras nestes cenários e setores, não imaginam como está cada vez mais difícil subsistir neste meio, pois até os agricultores que possuem pequenas propriedades, estão enfrentando barreiras para poder aumentar suas produções. O responsável por isto ? O mesmo órgão que deveria estar cuidando dos 706,799 kilômetros quadrados que são desmatados a cada 3 meses na Amazônia, ou seja uma cidade do tamanho de Salvador a cada 3 meses é queimada na Amazônia .
Vocês imaginem um agricultor , que tenha uma propriedade com extensão de 24 hectares, boa parte desta terra condenada ao cultivo pois apresenta forte desnível ( esta é a realidade da maioria dos agricultores da Encosta Superior do Nordeste do Rio Grande do Sul ) este mesmo agricultor, quer plantar 3 hectares de parreirais , mas estes não são liberados pelo Ibama mesmo que em seu projeto este calculado o replantio das espécies nativas na área em desnível para melhor aproveitamento da terra.
Enquanto isso ,o mesmo agricultor, vê seus filhos, seus vizinhos e amigos, deixando a colônia para ir morar na cidade ...êxodo Rural , você já ouviu falar nisso não é? Também , neste mesmo tempo, o mesmo agricultor vê e percebe que no Mato Grosso , Paraná, Santa Catarina, muita terra foi desmatada, é plana e agricultável , e praticamente o mesmo território onde está sendo plantado, alguns anos atrás eram imensas florestas de árvores nativas e muitas araucárias no caso mais ao sul .
Tentando me colocar no lugar deste agricultor , senti-me no lugar dele, e pude me sentir desta forma , um frustrado, um melancólico ou até mesmo desiludido,... mas a sensação que mais adequa-se é de impotência, pois percebia em sua fala a sinceridade do homem simples do campo , que somente queria dar continuidade às suas raízes e poder dar condições para que seus filhos pudessem seguir seu legado, porém, será difícil do jeito como as coisas estão ocorrendo .
Mas olhe só que tamanha contradição , este país é mesmo um abarrotado de contradições , muitos com nada, alguns com um pouco , mas que não podem usufruir de seus meios de subsistência, mesmo agindo de forma ética e moral .
O êxodo rural é realidade no Brasil, já fazem mais de 50 anos, medidas provisórias como financiamentos a juros de aproximadamente 2 % ao ano , já provaram ser ineficientes , pois estes financiamentos só obrigaram os agricultores a prolongar suas angústias, para que os mesmos permanecessem por mais algum tempo em suas terras.
Eu paro por aqui, pois, não vejo saída para muitas coisas neste país , e para não parecer um inconformado fica aqui o meu desabafo, bem como o partilhamento da percepção de sonhos despedaçados e uma pergunta :
Será que o bom senso ainda existe?

Um forte abraço e boa semana a todos

Vanir Predebon